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Padrasto nega maus-tratos à menina de 6 anos assassinada: "era minha filha"

Publicado em 29/08/2025 Editoria: Cidade


Padrasto abraçado com a esposa e mãe da vítima durante o velório (Foto: Marcos Maluf)

Padrasto abraçado com a esposa e mãe da vítima durante o velório (Foto: Marcos Maluf)


Corpo da criança estava enrolado em cobertor dentro de banheira escondida sob a cama do autor

 

Na despedida da menina de seis anos estuprada e morta estrangulada na madrugada de quinta-feira (28), o padrasto negou todas as acusações de maus-tratos e negligência contra a enteada, vítima de Marcos Wilian Teixeira Timoteo. O crime aconteceu na casa do autor, na Vila Carvalho, a aproximadamente 2,4 quilômetros da casa da família, em Campo Grande. A mãe estava muito abalada e não conseguiu conversar com a imprensa.

Durante o velório na manhã desta sexta-feira (29), o rapaz contou que assumiu a paternidade da pequena quando ela tinha duas semanas de nascida e, desde então, fazia tudo o que podia pela menina, que era “um anjo” na vida da família. Ele pontuou que todas as denúncias feitas contra ele nunca deram em nada porque não eram verdadeiras.

“Disseram que ela estava com o braço quebrado, então eu fiz um milagre porque não tem hematoma e nem marca. Falaram que ela vivia faltando na escola, mas ninguém foi lá perguntar sobre a frequência dela. Ela só tem duas faltas, no dia que fomos no Conselho Tutelar e a de ontem, quando infelizmente tudo aconteceu”, detalhou o rapaz.

Segundo ele, a última ida ao Conselho Tutelar foi na segunda-feira (25), na ocasião, ele ainda ficou indignado porque foi chamado apenas para falarem que a menina o elogiou durante todo o tempo. “Aí me liberaram sem nenhum passe de ônibus. Tive que voltar a pé, no meio do caminho pedi carro por aplicativo e depois peguei dinheiro emprestado para pagar. Não tinha nada, não comprovaram nada”, pontuou.

Sobre a família não saber onde a menina estava no dia do crime, o rapaz explicou que os pais acreditavam que ela estivesse com a avó, com quem gostava de passar a maior parte do tempo, e só descobriram que não quando entraram em contato com a mulher, mãe do padrasto. “Elas ficavam o tempo todo juntas”.

“Estamos acompanhando o caso. Eu tenho certeza que estão esperando o velório acabar para me intimar. Aí vai ser mais um sofrimento. Vão querer ouvir minha esposa e minha outra filha. Fiz tudo o que me pediram. Sei que são pessoas conhecidas que fazem essas denúncias. Vou arrumar um jeito de sair dali, vou tirar minha família dali porque não vão deixar a gente em paz”, afirmou.

Sobre a menina, o padrasto fala com carinho, alegando que ela era seu “xodó” e que na escola era querida por todos. “Não sou o pai, mas peguei-a para criar com duas semanas de vida. Tentaram tirá-la de mim. Nunca conseguiram nada. Eu fazia de tudo por ela. Levava-a para passear, dava dinheiro para levar para a escola. Nunca deixei faltar nada e ninguém nunca me ajudou. Eu que fui atrás, mas na minha porta estavam todo dia falando”, desabafou.

Sobre a morte de Marcos, o padrasto afirma que não ficou feliz nem se sentiu aliviado, porque a forma como ele morreu não se compara ao que aconteceu com a pequena.

“Não há sentimento de justiça. A forma como ele morreu não se compara ao sofrimento que ela passou. Mesmo ele morto, é como se ele estivesse por aí procurando outra vítima. Ela não foi a primeira. Não vamos esquecê-la. Minha filha era alegre, feliz, brincalhona”, finalizou.

O sepultamento da menina aconteceu nesta manhã. O momento foi marcado por desespero e dor da família, principalmente da mãe que ficou desolada ao ver o caixão da pequena ser fechado.

Relembre — Na madrugada de ontem, o corpo da criança foi encontrado no banheiro de uma casa alugada na Avenida Joaquim Manoel de Carvalho, no bairro Vila Carvalho. A vítima estava enrolada em um cobertor, dentro da banheira, apresentando sinais de estupro.

A residência, onde morava o principal suspeito, Marcos Willian Teixeira Timóteo, conhecido como “Gordinho”, apresentava sinais de abandono. A casa estava revirada e quase sem móveis. Em um dos cômodos havia apenas um pedaço de papelão no chão ao lado de uma pequena bacia, enquanto um móvel improvisado guardava um saco de ração de cachorro e, na cozinha, uma panela permanecia esquecida sobre o fogão.

Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que a menina saiu de casa na manhã de quarta-feira (27), na Vila Taquarussu, acompanhando Marcos Willian. Ele aparece de camiseta roxa, bermuda jeans e boné claro, atravessando a rua. A criança, de calça escura e camiseta branca de manga longa, o segue de perto.

Os pais só deram falta da filha à tarde e, ao checarem as câmeras, reconheceram o suspeito. A Polícia Militar foi acionada, e, horas depois, a menina foi localizada já sem vida. Outro vídeo mostra o desespero da família quando a menina foi encontrada morta. (Veja abaixo).

Após o crime, Marcos Willian fugiu, mas nesta manhã foi encontrado na região do Inferninho, saída para Rochedo, em Campo Grande. Ele teria resistido à abordagem e, então, acabou sendo baleado por policiais do GOI (Grupo de Operações e Investigações). Os policiais o levaram até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida, mas ele não resistiu e morreu.



› FONTE: Campo Grande News