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Umidade pode cair a 12% em MS e médicos alertam para riscos à saúde

Publicado em 20/08/2026 Editoria: Cidade


Área em laranjado deve ser impactada por umidade entre 12% e 20% (Imagem: Reprodução/Inmet)

Área em laranjado deve ser impactada por umidade entre 12% e 20% (Imagem: Reprodução/Inmet)


Frente fria deu trégua, mas condição deve retornar a partir desta sexta-feira (21) no Estado

 


A frente fria que chegou nesta quinta-feira (20) deu alívio às temperaturas elevadas e ao tempo seco dos últimos dias, mas os efeitos devem durar bem pouco.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) já está alertando para umidade relativa do ar chegando a até 12% em cidades de Mato Grosso do Sul e em outros estados na sexta-feira (21). Além disso, os dias quentes devem retornar logo. Esse cenário é frequente no inverno do Centro-Oeste e castiga a saúde até de quem está com a imunidade em dia.

O pneumologista Ronaldo Queiroz, de Campo Grande, explica que a baixa umidade é a principal responsável pela irritação e ressecamento das vias aéreas, principalmente do nariz e da garganta. “Ele pode até causar pequenas lesões, o que acaba facilitando a penetração de vírus e de bactérias”, completa.

Mas o que é mais prejudicial à saúde, o tempo frio e seco ou o tempo quente e seco?

Segundo o médico, os prejuízos são quase os mesmos. “Praticamente não existe diferença. O problema está focado no ressecamento das vias aéreas devido à baixa umidade, que acaba ativando crises de asma e de rinite, e tem a desidratação”, afirma.

Sangramento - O motorista Carlos dos Santos, 53 anos, se surpreendeu ao ver sangue saindo do próprio nariz na quarta-feira (19), quando a umidade relativa do ar era menor que 30%, em Campo Grande. Ele estava dirigindo com o ar-condicionado do carro ligado para enfrentar o calorão.

“Foi a primeira vez que aconteceu. Não tive outros sintomas. Eu estava tranquilo e, de repente, vi sangue caindo na camiseta. Desci do carro, coloquei um pano para estancar o sangue e fiquei olhando pra cima. Demorou uns dois ou três minutos para passar”, relata.

Em relação a esse tipo de sangramento, o médico confirma que é uma das consequências do ressecamento e do rompimento de capilares da mucosa nasal, provocados pela umidade do ar baixa.

Doenças respiratórias - Quem tiver doenças respiratórias crônicas de fundo alérgico pode ter mais crises nesses períodos. Asma brônquica e rinite alérgica são exemplos.

“Use muito soro fisiológico, hidrate a via aérea, tome muito líquido e converse com seu pneumologista porque muitas vezes é necessário reforçar o tratamento preventivo”, orienta Ronaldo.

Desidratação - O pneumologista lembra que a hidratação precisa ser reforçada tanto em dias amenos quanto nos dias quentes. O indicado é de dois a três litros de água por dia.

“Mesmo quando não está tão quente, você acaba suando mais, perdendo eletrólitos pela pele e nem percebe. É uma desidratação silenciosa e isso pode provocar um cansaço maior, fadiga, tontura e queda de pressão”, descreve.

Além de beber bastante água, as recomendações dele são evitar fazer atividades físicas após as 9h e antes das 17h. Colocar uma toalha molhada no pescoço, no peito e nas axilas é outra dica.

Crianças - A pediatra Camilla Dias diz que até o leite materno ou fórmula podem ser oferecidos mais vezes quando o tempo está nessas condições.

“É importante oferecer várias vezes e cuidar como está o xixizinho do bebê. Se a criança for maior e já faz consumo de frutas, legumes e água, oferecer isso várias vezes durante o dia e dar preferência para frutas que têm mais água, como melancia e melão”, diz.

Colocar umidificador de ar na sala ou no quarto dos filhos ajuda, desde que os aparelhos estejam limpos e posicionados corretamente.

“Tem que ficar atento em relação à limpeza desse umidificador e como ele vai ficar posicionado ali no ambiente, na sala ou no quarto. É preciso deixar a um metro de distância de paredes, armários e estofados, evitando assim a proliferação de fungos e até mesmo o ácaro”, detalha.

Os umidificadores não devem ficar ligados por um longo período. “Eu sempre recomendo não deixar o umidificador ligado a noite toda porque um ambiente muito úmido também não é favorável para as crianças. Se quiser deixar, é bom deixar uma porta aberta para ter a comunicação do ar mais úmido com menos úmido para ter um equilíbrio”, finaliza.



› FONTE: CG News