Em uma entrevista vibrante ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, o ex-prefeito de Aquidauana e pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL), Odilon Ribeiro, detalhou seus planos políticos, compartilhou as dores do produtor rural pantaneiro e defendeu com veemência a urgência de uma guinada industrial para a Região Sudoeste de Mato Grosso do Sul.
Trajetória e Legado de Liderança
Odilon Ribeiro, de 49 anos, traz a política e a vivência do campo em seu DNA. Produtor rural e formado em Gestão Pública, ele pertence a uma família com profundas raízes na representatividade do estado. Seu pai, Tico Ribeiro, foi eleito deputado estadual em 1954 (com mandato assumido em 1956) pela região quando o Mato Grosso ainda era unificado, além de o entrevistado reverenciar o legado de figuras históricas como o ex-governador e senador José Fragelli.
Com uma sólida experiência de 8 anos à frente do poder executivo de Aquidauana — a charmosa “Princesa do Sul” —, Odilon encerrou seus dois mandatos consecutivos com expressivos índices de aprovação popular. Consolidando sua força política local, logrou êxito ao eleger seu sucessor direto, o atual prefeito Mauro. Agora, o gestor se projeta em um novo horizonte: a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).
Industrialização Contra a Fuga de Mão de Obra
Um dos pontos mais contundentes levantados durante o diálogo foi a necessidade urgente de descentralizar os grandes complexos industriais do estado, atualmente concentrados nas divisas com São Paulo e Paraná. Conforme Odilon, a dependência excessiva do setor público sufoca os municípios da região periférica do Pantanal, como Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Miranda e Nioaque.
“Nossa região precisa de emprego, precisa de renda e de oportunidade. Todos os anos, centenas de indígenas da nossa região saem em ônibus para colher maçã no Rio Grande do Sul por falta de indústrias locais”, apontou o entrevistado.
O pré-candidato sugeriu a união de prefeitos locais para pressionar o governador Eduardo Riedel a atrair uma grande fábrica de celulose para o trevo da BR-262, nas proximidades de Dois Irmãos do Buriti. Ele ressaltou que a infraestrutura urbana e de saúde da região (que conta com quatro hospitais somando Aquidauana e Anastácio) está pronta para absorver os impactos populacionais de um investimento desse porte, diferentemente de pequenos municípios que entram em colapso social ao receberem aportes bilionários.
Críticas à Lei do Pantanal e ao Ativismo Ambiental
Odilon Ribeiro manifestou firme oposição à atual Lei do Pantanal, sancionada em nível estadual, que elevou as exigências de reserva ambiental das propriedades rurais de 20% para 50%. Para o gestor, o aumento das restrições asfixia a produção e desvaloriza as terras e a economia local, sem que haja uma justa contrapartida financeira para os produtores rurais ou incremento no ICMS Ecológico dos municípios prejudicados.
“Fazer meio ambiente com o que é dos outros é muito fácil. Do que adianta um meio ambiente lindo e um povo na miséria? O pantaneiro tradicional não está conseguindo sobreviver e está vendendo suas terras para pessoas de fora”, disparou.
Ele também teceu duras críticas à atuação de certas Organizações Não Governamentais (ONGs) na região, alegando que operam com frotas de veículos modernos e recursos vultosos, mas não direcionam auxílio para áreas sociais críticas, como o Sistema Único de Saúde (SUS) local.
Proposta de uma “Zona Franca Pantaneira”
Como principal bandeira legislativa, Odilon propôs a criação de um plano estruturado de incentivos fiscais estaduais e federais para instituir uma espécie de “Zona Franca do Pantanal”. Inspirado no modelo bem-sucedido de Manaus, o plano visa atrair indústrias de transformação e bens de consumo que possam produzir de forma sustentável no entorno do bioma, gerando empregos locais sem agredir as restrições ecológicas do coração do Pantanal.
Potencial Turístico e Regularização de Loteamentos
O turismo também foi apontado como peça fundamental de crescimento, ressaltando os distritos de Camisão e Piraputanga como o refúgio de final de semana dos moradores de Campo Grande. Questionado sobre os recentes embargos do Ministério Público a loteamentos rurais na região,
Odilon defendeu a regularização rápida das legislações municipais. Ele citou exemplos de empreendimentos modelo de alto padrão perfeitamente regularizados (como o residencial Acenda) que acabaram sofrendo prejuízos comerciais devido ao alarde generalista gerado por notícias de suspensões.
Posicionamento Ideológico e Próximos Passos
Claramente posicionado no espectro político de direita, Odilon criticou a atual gestão federal do presidente Lula em decorrência do excesso de carga tributária. No âmbito estadual, manifestou forte apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel. Ele concluiu afirmando que sua pré-campanha será focada em cerca de 40 municípios, priorizando a reconquista do espaço político perdido pela macrorregião sudoeste e pantaneira.