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MS foi um dos 4 estados mais afetados pelo tarifaço de Trump, aponta BC

Publicado em 21/05/2026 Editoria: Economia



Exportações aos EUA caíram US$ 130 milhões em 2025, com perdas em celulose e ferro-gusa

 

Mato Grosso do Sul foi um dos quatro estados mais afetados pelo tarifaço de Trump aplicado ao Brasil em 2025. Os dados são do boletim Impactos Regionais das Tarifas dos Estados Unidos sobre os Produtos Brasileiros, divulgado pelo BC (Banco Central do Brasil).

Na comparação com 2024, as exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Estado, conforme dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), encolheram 19,4% em receita em 2025, caindo de US$ 669,5 milhões para US$ 539,4 milhões. A retração foi de US$ 130,09 milhões, valor praticamente equivalente, por exemplo, ao total exportado pelo Estado ao Japão no ano passado, que somou US$ 130,02 milhões.

Para mensurar o impacto do tarifaço sobre as vendas externas aos EUA em cada unidade da federação, o BC adotou, entre as métricas, a comparação proporcional ao PIB estadual. Nesse critério, Mato Grosso do Sul registrou retração de 0,35%, ficando entre os quatro estados mais afetados do país, ao lado de Espírito Santo (-0,55%), Maranhão (-0,42%) e Rio de Janeiro (-0,35%).

A celulose, um dos principais produtos da pauta exportadora sul-mato-grossense, alternando entre a primeira e a segunda posição no ranking estadual, foi um dos itens mais afetados no período marcado pelo tarifaço e pela oscilação no mercado internacional da commodity. O volume exportado caiu 4,8%, passando de 341,6 mil toneladas para 325,2 mil toneladas, redução de 16,4 mil toneladas. Já a receita recuou 36,1%, saindo de US$ 213,4 milhões para US$ 136,2 milhões.

O ferro-gusa, terceiro principal produto exportado por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, também sofreu forte impacto nas vendas externas e registrou a maior queda absoluta entre os itens da pauta. O volume embarcado despencou 42,8%, passando de 284,3 mil toneladas para 162,5 mil toneladas. Em receita, a retração foi de 44,6%, caindo de US$ 123,6 milhões para US$ 68,5 milhões.

O peso da celulose, da siderurgia e da proteína animal na pauta exportadora sul-mato-grossense aumentou a exposição do Estado às medidas tarifárias americanas, principalmente porque os Estados Unidos representam um mercado relevante para produtos industrializados e semimanufaturados de maior valor agregado.

A situação da celulose em Mato Grosso do Sul, inclusive, foi destacada no relatório do BC, que apontou a perda do produto como uma das mais significativas da região Centro-Oeste.

Celulose e ferro-gusa puxaram perdas

A trajetória da celulose e do ferro-gusa ilustra a instabilidade provocada pelo tarifaço dos EUA aplicado pelo presidente Donald Trump ao Brasil em 2025. Em abril daquele ano, no chamado Liberation Day, os Estados Unidos implementaram aumento geral das tarifas de importação. Entre as justificativas apresentadas pelo governo americano estavam a necessidade de reduzir o déficit comercial do país e questões ligadas à segurança nacional. No caso do Brasil, a tarifa inicial aplicada foi de 10%.

Em 30 de julho, uma ordem executiva do governo americano impôs tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 6 de agosto de 2025. A medida foi adotada sob a justificativa de que ações do governo brasileiro representariam ameaça à segurança nacional e à economia norte-americana.

 Posteriormente, em setembro, o governo americano retirou a alíquota de 10% aplicada anteriormente sobre alguns produtos brasileiros, além de suspender a sobretaxa de 40% para determinados itens. Entre os produtos beneficiados estavam a celulose e o ferro-gusa.

Em 20 de novembro, os Estados Unidos anunciaram a retirada da tarifa adicional de 40% sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros, incluindo a carne bovina.

A carne bovina apresentou comportamento diferente do restante da pauta exportadora afetada pelas tarifas. Houve queda no volume exportado de carne bovina desossada e congelada, que passou de 45,8 mil toneladas para 44,6 mil toneladas. Apesar disso, a receita cresceu 4,1%, avançando de US$ 215,8 milhões para US$ 224,8 milhões.

Esse movimento, conforme explicou ao Campo Grande News o presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul, Regis Luis Comarella, em abril deste ano, está relacionado à crise enfrentada pela pecuária norte-americana.

“No caso dos Estados Unidos, eles enfrentam sua pior crise na pecuária em 75 anos, com uma redução muito grande do rebanho. Isso ocorre por várias circunstâncias, como seca, altos custos de produção e ciclo pecuário”, afirmou.

Conclusão do BC

O BC apontou no relatório que a elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos em 2025 provocou impacto perceptível sobre as exportações brasileiras destinadas àquele mercado, resultando em queda de US$ 2,7 bilhões no total anual.

Embora a retração tenha sido considerada moderada do ponto de vista macroeconômico, equivalente a cerca de 0,1% do PIB nacional e 0,8% das exportações brasileiras, o impacto variou significativamente conforme o perfil econômico de cada estado.



› FONTE: Campo Grande News