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Apreensões de medicamentos emagrecedores já superam total de 2025 em MS

Publicado em 09/04/2026 Editoria: Polícia


Medicamentos emagrecedores contrabandeados apreendidos em operação (Foto: Divulgação | PF)

Medicamentos emagrecedores contrabandeados apreendidos em operação (Foto: Divulgação | PF)


Dados da Polícia Federal mostram que Estado segue tendência nacional no aumento de contrabando desses produtos

 

O volume de apreensões de medicamentos ilegais para emagrecimento registradas pela PF (Polícia Federal) em Mato Grosso do Sul já ultrapassou, em apenas 3 meses, o total registrado ao longo de 2025, evidenciando o avanço acelerado desse mercado clandestino no estado. Esta semana, a corporação realizou a operação Heavy Pen contra o contrabando desses produtos.

Dados da Polícia Federal revelam que, em 2024, foram apreendidas apenas 5 unidades dos medicamentos em Mato Grosso do Sul. Já em 2025, o número saltou para 3.400 unidades. E, em 2026, considerando apenas o período entre janeiro e março, o total chegou a 4.544 unidades.

O número representa o crescimento de 33,6% em relação a todo o ano anterior, mesmo com dados ainda parciais e aponta que o Estado segue a tendência observada em todo o país que registra o aumento no contrabando de emagrecedores.

Ainda conforme a Polícia Federal, no Brasil as apreensões de medicamentos emagrecedores passaram de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025 e, até março de 2026, 54.577 unidades já haviam sido apreendidas em território nacional, indicando que o problema continua em expansão.


Proibição e exigência de receita 

Em novembro de 2025, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou nota técnica reforçando a proibição de entrada, fabricação, venda e propaganda de emagrecedores sem registro no Brasil. A agência informa que esses produtos, descritos como agonistas do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), não têm registro sanitário no País e não passaram por avaliação de qualidade, eficácia e segurança.

A proibição citada inclui produtos como T.G. 5, Lipoless, Lipoless Éticos, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar, listados em resoluções recentes. Para os medicamentos aprovados no País, a comercialização dos agonistas do GLP-1 autorizados depende de receita médica com retenção.


Riscos 

Em fevereiro deste ano, a Anvisa emitiu alerta de farmacovigilância sobre o uso de canetas injetáveis para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico e fora das indicações aprovadas em bula. O documento apontou o aumento nas notificações de casos de pancreatite associados a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.

No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, incluindo seis casos suspeitos de morte por pancreatite.

De acordo com o painel VigiMed, que reúne as notificações enviadas ao órgão, são dois casos associados ao uso de Ozempic, três ao Saxenda e um ao Mounjaro. Todos ainda estão em investigação e são considerados suspeitos até a conclusão da análise, que pode levar meses ou até anos.

O alerta destaca que o risco ao paciente pode ser ainda maior quando esses medicamentos são utilizados para emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem indicação clínica e sem acompanhamento médico adequado. Nesses casos, além de aumentar a probabilidade de eventos adversos graves, o uso inadequado pode dificultar o diagnóstico precoce de complicações.

A Anvisa orienta que o tratamento seja interrompido imediatamente diante da suspeita de pancreatite e não seja retomado caso o diagnóstico seja confirmado.



› FONTE: Campo Grande News