Uma situação considerada revoltante por moradores tem gerado tensão na Aldeia São João, localizada no município de Porto Murtinho (MS).
Segundo relatos da própria comunidade, professores estariam sendo impedidos de ministrar aulas na Escola Municipal Indígena Koinukunoen, após intervenção ligada à oposição ao cacique Arisvaldo Mendes.
De acordo com moradores, a ação teria contado com o apoio da vereadora Carla Mayara, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT).
A comunidade afirma que, em vez de contribuir com melhorias e investimentos para a aldeia, a atuação política estaria provocando conflitos internos e prejudicando diretamente a aprendizagem dos alunos.
“Deveria estar trazendo benfeitorias para dentro da comunidade, mas está fazendo baderna e atrapalhando a educação das crianças”, declarou uma mãe em vídeo divulgado nas redes sociais.
Na semana passada, a Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência na escola, após relatos de que a unidade teria sido fechada. O episódio aumentou ainda mais a preocupação dos moradores, que afirmam não saber mais a quem recorrer.
A população indígena questiona se é papel de uma representante do Legislativo municipal interferir em questões internas da aldeia e na gestão escolar. “Fechar a escola e desrespeitar o cacique é um serviço de vereadora?”, indagam membros da comunidade.
A Aldeia São João é uma comunidade do povo Kadiwéu situada na área territorial de Porto Murtinho, com acesso mais próximo pelos municípios de Bodoquena e Bonito.
O caso tem gerado debates sobre autonomia indígena, responsabilidade política e garantia do direito à educação.
Até o momento, não houve manifestação oficial das partes citadas sobre as denúncias. A comunidade segue pedindo apoio das autoridades competentes para que a situação seja esclarecida e as aulas retomadas normalmente.
O portão da escola atualmente está com dois cadeados, um pelo lado de dentro e outro pelo lado de fora.